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Soleira negativa: o que é e como resolver o problema de esgoto

Um banheiro no subsolo de um edifício pode estar completamente pronto do ponto de vista arquitetônico e, ainda assim, apresentar um problema que só aparece quando se analisa o caminho do esgoto: a tubulação precisa chegar a uma rede localizada acima daquele ambiente.

O mesmo pode acontecer em uma residência construída em um terreno mais baixo que a rua, em um vestiário de garagem, em uma cozinha instalada no pavimento inferior de um estabelecimento ou em uma área de serviço criada durante uma reforma. Quando não existe diferença de nível suficiente para o efluente seguir até seu destino por gravidade, há uma condição conhecida como soleira negativa.

A Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) utiliza essa expressão justamente para situações em que não é possível fazer a ligação da edificação à rede pública para coleta do esgoto por gravidade.

Identificar essa condição antes da execução das instalações faz diferença. Quando ela já é conhecida no projeto, é possível prever o bombeamento, reservar espaço para os equipamentos e organizar a tubulação de recalque. Quando aparece depois que a obra está pronta, a solução pode exigir intervenções em áreas que já receberam acabamento.

Como identificar uma situação de soleira negativa?

O exemplo mais fácil de visualizar é o de uma residência construída abaixo do nível da rua. A rede pública de esgoto pode estar disponível em frente ao imóvel, mas isso não significa que a tubulação interna conseguirá chegar até ela com o caimento necessário.

A mesma condição pode aparecer dentro de uma edificação. Imagine um prédio em que os banheiros dos pavimentos superiores descarregam normalmente na rede sanitária, enquanto um vestiário localizado na garagem subterrânea está abaixo da tubulação que recebe esses efluentes. Nesse caso, o problema está concentrado apenas nos pontos mais baixos.

Por isso, não basta olhar para a fachada ou comparar visualmente o terreno com a calçada. É preciso verificar a cota em que o esgoto é gerado, o percurso disponível para a tubulação e a cota do ponto onde ele deverá chegar.

Essa análise também explica por que dois imóveis vizinhos podem ter situações diferentes. Pequenas mudanças de implantação, profundidade do subsolo ou posição da rede podem alterar completamente as condições de escoamento.

Onde esse problema costuma aparecer?

Subsolos estão entre os casos mais comuns. Banheiros, cozinhas, lavanderias, vestiários, áreas de lavagem e outros ambientes instalados abaixo do nível da rede podem precisar de uma solução específica para o esgotamento sanitário.

Terrenos com desnível acentuado também exigem atenção. Uma residência, condomínio ou empreendimento comercial pode estar implantado em uma parte baixa do lote, enquanto a rede coletora passa na rua em uma cota superior.

Outra situação frequente surge durante reformas. Um espaço que originalmente era apenas uma garagem ou depósito pode ganhar posteriormente um banheiro, uma copa ou uma área de serviço. Antes de criar esses novos pontos, é preciso verificar se a rede existente consegue recebê-los por gravidade ou se será necessário elevar o esgoto.

A soleira negativa, portanto, não está ligada a um tipo específico de construção. O que define a condição é a relação entre onde o efluente é gerado e onde ele precisa chegar.

O que pode acontecer quando a soleira negativa não é prevista?

O primeiro impacto costuma aparecer na própria obra. Se a necessidade de bombeamento só é percebida depois que a instalação já foi executada, pode ser necessário alterar tubulações, abrir pisos, encontrar espaço para equipamentos e criar novos percursos para levar o esgoto até o destino.

Também há riscos quando se tenta fazer uma instalação funcionar por gravidade sem que exista declividade suficiente. O escoamento pode ficar deficiente, favorecendo acúmulos, odores, vazamentos e extravasamentos. Dependendo da configuração do sistema e das proteções adotadas, também podem ocorrer episódios de retorno de esgoto.

Nem sempre esses sinais aparecem logo nos primeiros usos. Um banheiro utilizado poucas vezes ao dia pode funcionar aparentemente bem durante algum tempo. Quando vários aparelhos sanitários passam a descarregar simultaneamente, o aumento da vazão pode revelar uma deficiência de escoamento que já existia desde a execução.

É justamente por isso que a análise das cotas deve acontecer antes de decidir o caminho das tubulações. Corrigir uma condição conhecida durante o projeto é muito diferente de procurar espaço para uma solução quando o empreendimento já está pronto.

Como resolver o esgoto abaixo do nível da rede?

Quando não existe um percurso viável por gravidade, uma das alternativas é instalar uma estação elevatória de esgoto. Esse tipo de sistema é utilizado para receber o efluente em uma cota mais baixa e bombeá-lo até um ponto de onde ele possa continuar seu percurso adequadamente.

O funcionamento é relativamente simples de entender. Os banheiros, cozinhas ou demais pontos atendidos continuam descarregando por gravidade até um reservatório. Conforme o nível do esgoto aumenta, o sistema de controle aciona uma ou mais bombas, que enviam o efluente pela tubulação de recalque até a cota prevista no projeto.

Depois desse trecho bombeado, o esgoto pode seguir para a rede coletora ou para outra etapa do sistema, conforme a configuração da instalação.

A estação elevatória não elimina, portanto, o uso da gravidade. Ela entra justamente no trecho em que a diferença de nível impede que o esgoto continue sozinho.

O tamanho da estação depende de muito mais do que o reservatório

Depois de identificar a necessidade de bombeamento, surge outra dúvida: qual estação elevatória utilizar?

Não há uma resposta baseada apenas no número de litros do reservatório ou na potência da bomba. Uma estação elevatória para soleira negativa precisa ser escolhida de acordo com a quantidade de esgoto que receberá e com o esforço necessário para levá-lo até o ponto de descarga.

Um banheiro de apoio em um subsolo, por exemplo, apresenta uma condição bastante diferente de um conjunto de vestiários ou de diversos pontos sanitários de um condomínio. Quantidade e tipo de aparelhos atendidos ajudam a estimar a vazão que poderá chegar ao sistema, inclusive nos períodos de maior utilização.

O desnível também entra nessa análise, mas não deve ser observado sozinho. Se duas estações precisam elevar o esgoto seis metros, porém uma descarrega logo depois da subida e a outra precisa transportar o efluente por dezenas de metros, elas não estarão trabalhando nas mesmas condições. O comprimento e o diâmetro da tubulação, além de curvas, válvulas e outros componentes, interferem no esforço exigido da bomba.

O tipo de efluente também muda a solução

Outra informação que precisa ser conhecida é o que chegará à estação.

Uma instalação que recebe esgoto de vasos sanitários precisa lidar com sólidos e materiais fibrosos. Uma área de serviço pode apresentar outras características, enquanto determinadas aplicações comerciais ou industriais podem gerar efluentes que exigem cuidados específicos.

Essas diferenças influenciam a escolha da bomba, a capacidade de passagem de sólidos e, em alguns casos, os materiais utilizados nos componentes que entram em contato com o líquido.

Por isso, não basta informar apenas que existe “esgoto para bombear”. Saber quais ambientes serão atendidos e que tipo de efluente eles produzem ajuda a selecionar um conjunto mais compatível com a aplicação.

Espaço e acesso para manutenção não podem ficar para depois

Em uma obra nova, prever a estação durante o projeto permite organizar sua instalação junto com as demais disciplinas. É possível reservar uma área adequada, definir a chegada do esgoto, traçar a linha de recalque e prever a alimentação elétrica sem precisar adaptar posteriormente a estrutura do empreendimento.

O acesso também merece atenção. Bombas, válvulas, sensores e outros componentes poderão precisar de inspeção ou manutenção ao longo da vida útil do sistema. Instalar a estação em um ponto onde seja difícil retirar uma bomba ou acessar seus componentes pode transformar uma intervenção simples em um serviço muito mais demorado.

Essa preocupação ganha peso em garagens, subsolos e áreas técnicas, onde o espaço costuma ser limitado. Uma estação compacta pode ajudar na compatibilização, mas suas dimensões são apenas uma parte da escolha. É preciso considerar também como será instalada e como poderá ser acessada futuramente.

Quais dados ajudam a definir a solução?

Antes de selecionar uma estação elevatória, algumas informações permitem entender melhor a aplicação:

  • quantidade e tipo de pontos que serão atendidos;
  • vazão estimada de esgoto;
  • diferença de nível até o ponto de descarga;
  • comprimento e características da tubulação de recalque;
  • tipo de efluente e presença de sólidos;
  • espaço disponível para instalação;
  • condições de acesso para inspeção e manutenção.

Se a descarga será feita na rede pública, também é necessário conhecer o ponto de ligação disponibilizado e as exigências da prestadora de saneamento responsável pela região. Em imóveis abaixo do nível da rua, as alternativas podem variar conforme as características do terreno e da rede existente.

Reunir essas informações ainda na fase de projeto permite avaliar a solução antes que ela precise disputar espaço com estruturas, instalações elétricas, outras tubulações e acabamentos já executados.

Estações elevatórias para soleira negativa da Aquastar

Identificar a soleira negativa durante o projeto reduz o risco de retrabalho e permite que a solução faça parte da própria infraestrutura da edificação. Reservatório, linha de recalque, alimentação elétrica e acesso para manutenção podem ser definidos de forma integrada, em vez de serem acrescentados depois que o problema aparece.

Para aplicações que precisam de bombeamento, a Aquastar desenvolve a linha Aqualift, com estações elevatórias destinadas à coleta e ao recalque de esgoto e efluentes em projetos com diferentes vazões e portes. A linha possui configurações compactas e modelos voltados a empreendimentos com maior demanda.

A seleção pode considerar vazão, desnível, distância de recalque, características do efluente, espaço disponível e condições de instalação, permitindo avaliar uma configuração compatível com as necessidades de cada projeto.

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