Antes de colocar uma estação elevatória de esgoto em funcionamento, é importante conferir instalação hidráulica, elétrica, sensores, válvulas e condições de operação para evitar falhas logo nos primeiros ciclos.
A primeira partida é uma etapa importante na instalação de uma estação elevatória de esgoto, porque é nesse momento que se verifica se o conjunto montado na obra realmente está funcionando de acordo com o projeto e com as características previstas para o equipamento.
Alguns problemas só aparecem quando o reservatório começa a receber líquido e o sistema passa a operar de forma automática. Uma conexão mal vedada pode provocar vazamento, uma válvula instalada de forma inadequada pode favorecer o retorno do efluente e uma chave-boia mal posicionada pode fazer com que a bomba ligue e desligue em intervalos muito curtos. Em sistemas com duas bombas, falhas na lógica de acionamento também podem impedir a alternância ou a entrada da unidade reserva quando ela for necessária.
Por isso, antes de liberar a estação para operação definitiva, é recomendável fazer uma conferência cuidadosa de todos os pontos que interferem no funcionamento do conjunto e realizar um teste controlado. Essa verificação não substitui o projeto, o manual do fabricante ou o trabalho de profissionais habilitados, mas permite identificar ajustes enquanto a instalação ainda está acessível e antes que o sistema passe a operar continuamente com esgoto.
Confira o posicionamento e o nivelamento do reservatório
A inspeção pode começar pelo próprio reservatório. Ele precisa estar instalado na posição prevista, com apoio e nivelamento adequados às condições definidas para o modelo e para a obra. Um pequeno desvio nessa etapa pode repercutir no alinhamento das tubulações, na posição dos sensores e até na facilidade de acesso aos componentes internos.
Também é importante observar as condições do local de instalação. Dependendo do projeto, podem existir exigências específicas relacionadas à base, à ancoragem, ao tipo de assentamento ou às características do solo. Em instalações enterradas, por exemplo, as condições do terreno e a possibilidade de presença de água no solo podem exigir cuidados adicionais previstos no projeto.
Outro ponto que merece atenção é o espaço disponível para inspeções e futuras intervenções. Bombas, válvulas, sensores, tampas e conexões precisarão ser acessados ao longo da vida útil da estação. Quando esses componentes ficam muito próximos de paredes, estruturas ou outras instalações, tarefas simples de manutenção podem se tornar mais trabalhosas e exigir desmontagens que poderiam ter sido evitadas desde a implantação.
Revise as tubulações de entrada e recalque
Depois de verificar o reservatório, a conferência deve avançar para as ligações hidráulicas. Na entrada de esgoto, é importante confirmar se diâmetro, cota e inclinação correspondem ao que foi definido em projeto, permitindo que o efluente chegue ao reservatório sem criar condições favoráveis a represamentos ou retorno para a rede de origem.
Na tubulação de recalque, a atenção deve ser ainda maior porque o líquido passa a circular sob pressão. Diâmetro, extensão, elevação e quantidade de conexões influenciam diretamente a resistência encontrada pela bomba durante o funcionamento. Alterações feitas na obra, mesmo quando parecem pequenas, podem modificar essa condição hidráulica.
Se o trajeto originalmente previsto recebeu novos joelhos, uma redução de diâmetro ou um trecho mais longo para contornar alguma estrutura, por exemplo, a bomba poderá trabalhar em uma condição diferente daquela considerada no dimensionamento. Antes da partida, vale comparar o que foi efetivamente executado com o projeto e avaliar se alguma mudança precisa ser analisada tecnicamente.
As tubulações também devem possuir suporte próprio e estar corretamente fixadas. Bocais e conexões do reservatório não devem receber esforços excessivos provocados pelo peso ou pela movimentação de trechos de tubulação que deveriam estar sustentados de maneira independente.
Verifique válvulas, conexões e pontos de vedação
A válvula de retenção tem uma função importante no funcionamento da elevatória, pois impede que o líquido já bombeado volte para o reservatório depois que a bomba é desligada. Quando esse componente não está funcionando corretamente, parte do volume presente na linha de recalque pode retornar, fazendo o nível subir novamente e provocando um novo acionamento pouco tempo depois.
Esse tipo de situação pode ser percebido como um número excessivo de partidas da bomba, mas nem sempre a causa está no comando elétrico ou nos sensores de nível. O retorno pela tubulação também pode gerar esse comportamento, razão pela qual o funcionamento da retenção deve ser observado durante o teste.
Outras válvulas previstas para bloqueio ou manutenção também precisam ser conferidas antes da partida, tanto em relação à instalação quanto à posição em que se encontram. Uma válvula de recalque fechada, por exemplo, impede o funcionamento normal do sistema e pode fazer com que um problema de montagem seja confundido com falha da bomba.
Nesse mesmo momento, vale revisar uniões, flanges e demais pontos de conexão. Pequenos vazamentos são muito mais fáceis de corrigir durante o comissionamento do que depois que a estação passa a receber esgoto continuamente.
Não ignore a ventilação da estação
A ventilação faz parte do funcionamento do sistema e deve seguir o que foi previsto no projeto sanitário e na documentação do equipamento. Dependendo da configuração da estação, o reservatório possui conexões específicas destinadas ao respiro e à ventilação, que não devem ser eliminadas ou alteradas apenas para facilitar a montagem no local.
Antes da partida, é recomendável conferir se a tubulação está livre, corretamente conectada e sem obstruções. Também é importante verificar se não foram feitas reduções ou modificações improvisadas que possam interferir na função prevista para esse trecho da instalação.
Como a atenção durante a montagem costuma se concentrar na bomba e na tubulação de recalque, a ventilação pode acabar recebendo menos atenção do que deveria. A conferência final ajuda a evitar que esse ponto seja descoberto somente depois que a estação já estiver em uso.
Faça uma revisão completa da instalação elétrica
Antes de energizar o conjunto, a parte elétrica precisa ser conferida de acordo com o projeto e com as características dos equipamentos instalados. A alimentação disponível deve ser compatível com a bomba, o painel de comando e os demais componentes, considerando tensão, número de fases e dispositivos de proteção.
O aterramento também deve estar corretamente executado e conectado, e não apenas previsto no projeto. No painel, é importante verificar conexões, proteções, comandos, sinalizações e eventuais alarmes. Em estações automatizadas, uma falha de ligação pode permitir que a bomba funcione em um teste manual, mas impedir o acionamento automático em uma condição real de operação.
Os cabos devem estar protegidos contra esforços mecânicos e instalados de maneira que não dificultem a retirada da bomba ou o acesso aos sensores em futuras manutenções. Nas bombas trifásicas, quando aplicável, o sentido de rotação também precisa ser verificado conforme a orientação do fabricante, já que uma rotação incorreta pode reduzir significativamente o desempenho do equipamento.
Regule corretamente as chaves-boia e os sensores de nível
Os dispositivos de nível têm influência direta sobre a forma como a estação trabalha no dia a dia. A chave-boia para estação elevatória, ou outro tipo de sensor adotado no projeto, determina quando a bomba entra em funcionamento e quando deve desligar. Em sistemas mais completos, sensores adicionais podem comandar a segunda bomba e o alarme de nível elevado.
A regulagem deve considerar os níveis definidos para aquela aplicação. Se o intervalo entre acionamento e desligamento for pequeno demais, a bomba poderá realizar muitos ciclos em pouco tempo, aumentando o número de partidas. Se o acionamento acontecer tarde demais, o reservatório poderá trabalhar frequentemente próximo de seu limite superior.
Além da altura, é necessário observar se a boia consegue se movimentar livremente. Um sensor pode estar instalado na posição correta e ainda assim não funcionar como deveria se o cabo ficar preso em uma tubulação, se a boia tocar na parede do reservatório ou se algum componente limitar seu deslocamento.
Essa verificação precisa ser feita no local, com a movimentação dos sensores e a observação do comportamento do comando. O objetivo é confirmar não apenas que o sinal elétrico existe, mas que o conjunto responde adequadamente às mudanças reais de nível dentro do reservatório.
Em sistemas com duas bombas, teste também a lógica de operação
Quando a estação possui duas bombas, não basta ligar as duas manualmente e verificar se ambas funcionam. É necessário testar a lógica prevista para o conjunto, incluindo alternância, entrada da unidade de apoio e resposta a situações de nível elevado.
Em algumas instalações, as bombas se alternam a cada ciclo para distribuir as horas de funcionamento. Em outras, a segunda unidade entra quando a vazão recebida supera momentaneamente a capacidade de uma única bomba. Também pode existir uma configuração em que uma bomba atua como reserva em caso de falha da principal.
Durante o comissionamento, essas situações precisam ser simuladas de acordo com o projeto. Deve-se verificar se a primeira bomba entra no nível correto, se desliga no ponto esperado, se a alternância acontece quando programada e se a segunda unidade é acionada nas condições previstas.
O alarme de nível alto também deve ser testado. Essa é uma função importante para indicar que o reservatório atingiu uma condição diferente da operação normal, e sua verificação não deve ser deixada para o momento em que ocorrer uma situação real.
Faça a primeira partida de forma controlada
Depois das verificações hidráulicas, elétricas e de automação, a estação pode passar por um teste completo de funcionamento, seguindo o procedimento indicado para o modelo instalado. Quando previsto pelo fabricante, o enchimento com água limpa permite observar o comportamento do sistema antes da entrada definitiva de esgoto.
Durante esse teste, o nível deve subir de forma controlada até o ponto de acionamento da bomba. Em seguida, é possível acompanhar o recalque, a redução do nível e o desligamento do equipamento. Ao mesmo tempo, devem ser observadas as tubulações, válvulas e conexões para identificar vazamentos, retorno de líquido ou qualquer comportamento diferente do esperado.
Se o nível voltar a subir rapidamente depois que a bomba para, pode haver retorno pela tubulação. Se o esvaziamento for muito lento, é necessário verificar se a condição de bombeamento corresponde ao que foi previsto. Ruídos, vibrações anormais ou vazamentos também devem ser investigados antes que o sistema seja liberado para operação.
Em uma estação com duas bombas, o teste deve continuar até que a alternância, a entrada da segunda unidade e os alarmes também tenham sido verificados. A primeira partida não serve apenas para confirmar que a bomba liga, mas para observar se todo o ciclo de operação da estação acontece de maneira correta e coerente com o projeto.
O comportamento durante o teste pode indicar onde está o problema
A vantagem de realizar a partida de forma controlada é que alguns problemas ficam mais fáceis de identificar quando se observa o sistema completo em funcionamento. Uma bomba que entra em operação muitas vezes em intervalos curtos pode estar sofrendo com retorno de líquido ou com níveis de acionamento mal ajustados. Um alarme recorrente pode estar relacionado ao sensor, mas também pode indicar que a estação não está conseguindo reduzir o nível na velocidade prevista.
Ruídos e vibrações também precisam ser avaliados dentro do contexto da instalação. Eles podem ter origem na fixação da bomba, na montagem das tubulações, na presença de materiais estranhos no reservatório ou em uma condição hidráulica diferente da especificada.
Ao analisar o comportamento do conjunto, em vez de olhar cada componente isoladamente, fica mais fácil entender a origem de uma falha e corrigir o ponto responsável antes que ele gere interrupções durante a operação normal.
Antes de liberar a estação para operação
A inspeção anterior à primeira partida funciona como uma última conferência entre o que foi previsto no projeto, o que o fabricante especificou e o que efetivamente foi executado na obra. É nessa fase que ajustes de montagem, regulagem ou configuração ainda podem ser identificados e corrigidos com mais facilidade.
Quando essa etapa é bem executada, diminui a possibilidade de a estação começar a operar com vazamentos, retorno de efluente, ciclos inadequados de acionamento, alarmes recorrentes ou dificuldades de acesso para manutenção. Também é um bom momento para registrar os ajustes realizados e garantir que a equipe responsável pela operação conheça os principais comandos, sensores e alarmes do sistema.
Cada estação elevatória possui características próprias, por isso a entrada em operação deve sempre respeitar o projeto e a documentação correspondente ao modelo instalado. A Aquastar disponibiliza manuais, desenhos, arquivos técnicos, treinamentos e suporte técnico para auxiliar os profissionais envolvidos na instalação e na partida de suas soluções.


